Relatórios eventos
Relatório do Workshop do Carlos Saldanha
– Por Marcos Magalhães e Marcelo Marão (sorteados entre os associados) –
Sorteado por esta lista da internet da ABCA, ganhei uma inscrição gratuita para um “Workshop de Projetos de Animação” durante o último Festival do Rio, ministrado pelo diretor Carlos Saldanha, além de Lori Forte, produtora da Bluesky e de Vanessa Morrison, presidente da Fox Animation. Aceitei de bom grado o golpe de sorte (não estou acostumado a ganhar sorteios) e me preparei para desfalcar um fim de semana com a família para prestigiar a apresentação do nosso ilustre colega. O workshop estava anunciado para dois dias, 3 e 4 de outubro, mas finalmente foi reduzido a apenas um dia, sábado dia 3, sendo que o período inicial seria ocupado pela projeção de “A Era do Gelo3″ (ao qual já havia assistido no cinema).
Devido a estas incertezas de horário, acabei chegando um pouco atrasado, mesmo coordenando com o Marão, o outro sorteado, que me informava por torpedos o andamento da programação… Creio que perdi apenas a apresentação dos palestrantes e o iniciozinho da palestra do Carlos.
Eu esperava que este workshop fosse dedicado mais aos bastidores da Produção de um longa mainstream em 3D nos EUA. Como o evento estava incluído num setor de business do festival, entendi que os assuntos em foco seriam coisas como o processo de venda, captação, orçamento, cronogramas, marketing, distribuição, etc, ainda mais por estar o Carlos acompanhado de duas pessoas da Fox que são as encarregadas neste assunto.
Estava curioso em saber que paralelo poderíamos fazer ao refletir sobre as nossas produções ainda incipientes aqui no Brasil. Mas, talvez por gentileza das duas americanas, ou talvez por autoproteção (segredos profissionais?), elas cederam totalmente o palco para o nosso compatriota. Então, o assunto ficou sendo algo que pode ter sido novidade para os cineastas de live-action presentes no seminario (suspeito que eram minoria), mas para nós que vamos habitualmente ao Anima Mundi é um pouco repetitivo: “como se cria e desenvolve uma animação”. Animatics, modelagem, render, etc, etc…
O Carlos Saldanha é uma pessoa admirável, a gente no Anima Mundi acompanha sua carreira desde que ele era estudante em Nova York e fez um dos primeiros curtas em CG dirigidos por um brasileiro, o “Time for Love”, que participou do festival e do primeiro volume (em VHS) da coletânea “O Melhor do Anima Mundi”. Ele também fez palestras aqui em duas edições, antes de se tornar diretor de longas na Bluesky/Fox. Sua trajetória se deve a uma combinação rara de talento, dedicação, humildade (no melhor sentido do termo) e senso de oportunidade. Ele não está onde está por puro acaso, e ainda vai caminhar bastante. Foi um prazer ouvir dele as novidades, ver que o processo de criação e finalização de uma animação 3D evoluiu enormemente em todos estes anos. Ele trouxe farto material ilustrativo, a projeção da sala era ótima, e pudemos saber de várias coisas interessantes do making of do “Era do Gelo 3″… Mas aí é que está o problema; não me pareceu que as coisas que ele disse e mostrou sejam muito diferentes do que pode estar no making of do DVD do filme (meu filho até ganhou um recentemente, mas ainda não pude conferir).
Mas de qualquer jeito foi muito impressionante ver Saldanha mostrar o desenvolvimento criativo de sua cena favorita no filme: aquela em que a Doninha caolha conta como perdeu o seu olho num ataque do dinossauro albino. Os desenhos de inspiração que ele mostrou eram incríveis, um ilustrador do estúdio chegou a realizar um animatic totalmente gráfico e abstrato da cena, apenas em linhas retas em vermelho, preto e branco, no que poderia ser um excelente curta para vermos no nosso festival. (quem viu o longa “Peurs du Noir” no ultimo Anima Mundi pode ter uma ideia aproximada do que eu estou falando). Porém, gradualmente a cena foi se adaptando e se “acomodando” ao design geral do filme, e no final restaram talvez uns 5% da ousadia inicial, mesmo sendo aquela cena um relato fantasioso do personagem, onde se poderia sair um pouco mais do esquema. Mas não critico em absoluto o Carlos, ele sabia o que estava fazendo, o que me impressiona é constatar como existe espaço na indústria para os artistas mais loucos e ousados – mas pode ser que no final muito (e às vezes o melhor!) do que eles criaram fique fora da tela.
Outra coisa interessante, que até onde eu sei não existia alguns anos trás, é um esquema de cores cena a cena (como uma sequência de thumbnails das cenas) na qual se vê a progressão das cores no filme. Há 10 anos atrás eu assisti em Los Angeles uma palestra de um especialista deste assunto, que vendia muito caro aos principais estúdios este conhecimento dos efeitos dramáticos das cores em uma animação. Através do esquema que o Carlos mostrou, a equipe do filme pode controlar a sequência de cores mais sombrias ou mais quentes, ou mais suaves, e planejá-las de forma dramática. Eu já tinha comigo esta crítica à série “Era do Gelo”: acho a palheta de cores bastante monótona, e isso claramente influi no impacto dramático. Gostei de saber que eles estão cientes disso, e tentaram resolver o problema através deste esquema no filme 3.
Segundo o Carlos, o 3D estereoscópico não fazia parte do planejamento inicial do filme e não influenciou em seu roteiro, coisa da qual desconfio um pouco pois me incomodou bastante o ritmo de parque de diversões (aliás, defeito de TODOS estes novos filmes 3D…).
A história do filme raramente justifica tantas correrias e movimentos de câmera, e não existe suficiente preparação para tanto frenesi. Mas pode ser que eu esteja apenas ficando velho…
Carlos foi muito sincero e aberto, e uma das falas que mais apreciei nele foi admitir que “Eu pertenço à Fox. Tudo que eu crio e penso enquanto meu contrato estiver em vigor vai pertencer à Fox e eu não terei nenhuma participação nisso, seja o filme um sucesso ou um grande fracasso. Mas estou bem com isso, porque o estúdio me paga tudo o que eu e minha família precisamos para viver, e eu estou fazendo tudo o que sempre quis fazer na vida.”
Bacana isso. Deve ser mesmo muito legal poder abandonar numa boa estas preocupações que tanto angustiam o autor brasileiro… (falo do direito autoral!).
Na parte final, perguntas da platéia, Vanessa e Lori voltaram à mesa e responderam algumas rápidas questões, mas apenas superficialmente. Foi legal ouvir da presidente da Fox que por ela o Carlos tem hoje carta branca para produzir qualquer novo projeto seu. Alguém quis saber mais sobre o “Rio”, novo filme do Carlos e o primeiro concebido originalmente por ele, e ele não pôde falar muito por questões contratuais. Fica pra próxima. Quem sabe se até o Anima Mundi 2010 ele já não pode nos mostrar alguma coisa?
Valeu, ABCA, obrigado pela oportunidade. Com este relatorio, espero ter dividido satisfatoriamente este presente.
Marcos Magalhães
Os primeiros minutos da oficina, que o Marcos citou que perdeu, foram compostos apenas por uma breve apresentação da Lori Forte, produtora da Bluesky e de Vanessa Morrison, presidente da Fox Animation, que se apresentaram com um breve histórico profissional de cada uma – para em seguida dar a palavar ao Saldanha.
Aliás, os fones de ouvido foram utilizados apenas neste prenúncio do workshop e durante as perguntas finais.
O Carlos palestrou sozinho durante quase todo o evento (apesar de eventualmente se esquecer de algumas palavras em português, em função do longo tempo em que se encontra fora do Brasil).
Aproveito para também agradecer a ABCA pela oportunidade: a sala estava cheia e a única frustração de todos foi a curta duração do workshop – todos saíram ansiosos por mais algumas horas (ou dias) de conversa sobre os projetos da BlueSky.
Marcelo Marão
ReAnimania 2009
(por Claudio Guido – sorteado entre os sócios da ABCA para viajar a convite do Ministérios das Relações Exteriores e do Festival)
Ocorreu de 3 a 6 de Outubro o primeiro Festival Internacional de Animação ReAnimania, em Yerevan, capital da Armênia. A Armênia fica situada numa área montanhosa no extremo leste europeu, entre o mar Negro e o mar Cáspio. É um país com registros históricos muito antigos, o primeiro a adotar o cristianismo como religião do estado. Possuem seu próprio idioma e alfabeto, o Armênio. Como foi parte da União Soviética, existe um curioso contraste entre as reminiscências deste regime e o recente período capitalista.
A localização principal das exibições foi o imponente Cinema Moskva, no centro de Yerevan, imediatamente ao lado do hotel onde ficaram os convidados. Dispondo de 3 salas, é neste local que também ocorre em Julho o festival internacional de cinema da Armênia, Golden Apricot. Os responsáveis pelo festival foram Vrej Kassouny, como diretor, e Lucineh Kassarjian, diretora artística. Vrej é animador 2D e ilustrador, dono do estúdio KassArt, em Yerevan. Lucineh (Molorak Arts) é graduada em Pedagogia e Arte utilizando computação e novas mídias.
Na abertura foi exibido o curta “Dog and Cat”, de H. Toumanyan, considerado o marco inicial da animação Armênia, com 70 anos de idade. A cerimônia prosseguiu com o curta “The Fox’s Book”, uma homenagem a Robert Sahakyants, considerado um dos animadores mais significativos daquele país, falecido pouco antes do festival. A noite foi encerrada com o longa Persépolis, de Marjane Satrapi.
Também participaram da mostra os filmes Valsa com Bashir (Ari Folman), Idiots and Angels (Bill Plympton), Animal Crisis (Pedro Rivero), Edison & Leo (Neil Burns), Até o Tecto do Mundo (Antônio C. Valente), Azur e Asmar / Kirikou e a Feiticeira (Michel Ocelot), Brendan & the Secret of Kells (Tomm Moore) e Igor (Tony Leondis). O longa Wood & Stock, do amigo Otto Guerra, foi exibido na tarde do quarto e último dia. Muito bem humorado, o filme teve ótima receptividade pelo público Armênio, independentemente da distância cultural com o Brasil. A apresentação contou com a presença da Embaixadora Brasileira Marcela M. Nicodemos, (que adorou a participação da Rita Lee). Sita Sings the Blues foi a última apresentação, após a premiação e cerimônia de encerramento, sendo que diretora Nina Paley estava também presente.
Nas mostras competitivas, além dos curtas-metragens, concorreram também filmes universitários, exclusivos para TV e educacionais. Curioso que um júri infantil foi reunido também para fazer parte da avaliação. Houve sessões com retrospectiva da animação armena, panorama da animação alemã, festival de Annecy, e uma coletânea em homenagem a Bruno Bozzetto, mestre da animação italiana.
Como proposta para integração de produtoras e intercâmbio de projetos comerciais, ocorreu o MARANI (Market of Animation), no qual as empresas inscritas puderam apresentar trabalhos, propostas e trocar informações. Sendo o primeiro ano do festival, destacaram-se os estúdios locais: Estúdio KassArt, Molorak Arts, Smart Systems LLC, TouchFX e Triada.
A alguns quarteirões do Cinema Moskva, no Naregatsi Art Center, foram conduzidos 3 ótimos workshops. O primeiro, “Professional Coaching for Animation Film Production”, foi ministrado por Max Howard, produtor veterano de Hollywood (WB, Disney), cuja carreira em animação começou com o filme “Uma Cilada para Roger Rabbit”. Max abordou inicialmente alguns aspectos para criação de uma boa história e como vendê-la a parceiros comerciais (pitching). No segundo dia, um estúdio local (TouchFX) fez o pitching de um projeto de longa metragem, abrindo espaço para uma discussão coletiva. No último dia, Max apresentou várias dicas e os desafios de se realizar uma animação independente para cinema, tomando como cenário o lançamento inicial nos Estados Unidos.
O segundo workshop do calendário foi ministrado por Yoshi Tamura, animador 2D com 12 anos de experiência, a maior parte do tempo na Disney. Como ocorreu com muitos desta categoria, Yoshi migrou para produções 3D, como diretor de animação. Seu curso, chamado “Motions and Emotions”, enfocou a necessidade de ressaltar a emoção e a expressividade em cada etapa do processo de animação. O último workshop, ministrado por Melanie Beisswenger (“Happy Feet”, “Fly to the Moon”), foi mais prático e abordou princípios básicos da animação de personagens, e o desenvolvimento destas técnicas em ferramentas 3D.
Também na galeria Naregatsi, no terceiro dia do festival, ocorreu a apresentação do curta-metragem “Wild Bird of Brazil”. Este filme, realizado no estúdio KassArt com o patrocínio da Embaixada Brasileira, mostrou uma visão poética da Santos Dumont, em sua jornada até a criação do 14-bis. Os organizadores do ReAnimania, Vrej e Lucineh, agradeceram a iniciativa sem precedentes da embaixada neste sentido. Na seqüência do filme, os curtas “A Morte de Férias” (Claudio Guido, 2009), e “Um Outro” (Chico Liberato, 2008), foram exibidos. Além da Embaixadora Brasileira Marcela Nicodemos, e do Vice Cônsul Hovsep Seferian, compareceram à sessão representantes de outras embaixadas, profissionais do estúdio KassArt e outros entusiastas da área.

Apresentação Wild Bird

Workshop Max

Cinema Moskva
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ABCA em Annecy em 2004
Leia o relatório completo da atuação da ABCA em um dos maiores eventos internacionais de animação no ano de 2004.
Rio de Janeiro, 30 de junho de 2004.
Annecy 2004 – Relatório
Elaboração: Denise Garcia/ Secretária da ABCA
Participantes:
Denise Garcia (Associação Brasileira de Cinema de Animação/ABCA) e Daniela Ribeiro (Grupo Novo de Cinema e TV) .
Referência: passagem concedida pelo MINC a Denise Garcia.
Evento:
Festival International Du Film D´Animation – de 7 a 12 de junho de 2004
Marché International du Film d’Animation – de 7 a 10 de junho de 2004
País: França Cidade:Annecy
Descrição do Festival International Du Film D´Animation:
O Festival Internacional do Filme de Animação de Annecy está em sua 40ª edição e é considerado o “Cannes” da animação. Durante uma semana, são exibidos cerca de 400 filmes, divididos em cinco categorias competitivas: curta-metragem, longa-metragem, filmes sob encomenda (comerciais e videoclipes), filmes de escola e graduação, e filmes para Internet. Existe também uma sexta categoria em competição destinada a projetos de filmes em animação. Também são exibidos filmes em mostras, como a Panorama – este ano apresentando 40 curtas-metragens, a mostra de filmes do país homenageado – 2004 foi a Korea, filmes de artistas consagrados, retrospectivas de estúdios e também uma mostra temática, com 10
filmes enfocando o racismo.
Por este motivo, o Festival de Annecy é considerado a maior vitrine
internacional para apresentação e divulgação do produto audiovisual em animação.
Durante o período de realização do evento, reúnem-se na cidade uma quantidade extraordinária de realizadores, produtores, exibidores, compradores, distribuidores, estudantes e visitantes, além, é claro, do público em geral, que somado aos profissionais do setor lotam as sessões que iniciam às 10h30 e vão até meia-noite quando não há programas especiais, que podem começar por volta deste horário.
Descrição do Mercado Internacional do Filme deAnimação – MIFA
O MIFA recebe anualmente cerca de 140 compradores e distribuidores
internacionais, entre 900 companhias, sendo 240 expositoras. É o maior mercado de filmes de animação do mundo. Reúne produtores, distribuidores e televisões que se encontram para realizar vendas, pré-vendas e co-produções. Este ano aconteceu sua 14a edição.
Nos salões do Centre de Congrès de L’Impérial Palace, há três módulos: um para os organismos de financiamento, outro para escolas e um terceiro para os distribuidores.
Participação Brasileira em Annecy:
No início de 2004, procurei, como Secretária da Associação Brasileira de
Animação/ ABCA, o Grupo Novo de Cinema e TV para propor à empresa a compra de um stand no MIFA. O GNCTV destaca-se pela representação comercial de filmes de ficção em curta e longa-metragem nacional nos mercados externos, mas ainda não havia participado de um evento essencialmente focado no gênero da animação.
Exposta a importância comercial do evento, o GNCTV adquiriu o stand e destacou um de seus executivos de vendas – Daniela Ribeiro – para participar do evento.
A seguir, procuramos o Ministério da Cultura, através do então Chefe de Gabinete da Secretaria do Audiovisual, Sr. Leopoldo Nunes, para o apoio na concessão de uma passagem aérea para que um representante da ABCA estivesse presente ao evento.
Com estes dois apoios, estivemos presentes pela primeira vez em Annecy com 28 filmes de curta-metragens brasileiros.
Objetivos:
Os objetivos da ABCA numa ação como a participação no Festival de Annecy são:
- Divulgar e promover o filme de animação brasileiro nos mercados
internacionais;
- Adquirir conhecimentos que possam ser revertidos na qualificação do
profissional e do produto brasileiro de animação;
- Pesquisar formas para viabilizar a produção nacional, através do contato com possíveis parceiros internacionais;
- Divulgar a imagem do Brasil através dos produtos audiovisuais gerados no
formato do desenho animado;
- Pesquisar as novas tecnologias disponíveis para o desenvolvimento e
aperfeiçoamento do desenho animado nacional;
Resultados e avaliação:
Para que a indústria brasileira de animação cresça, é necessário que formatemos um sistema permanente de participação e promoção do desenho animado brasileiro nos mercados externos. Como no caso dos filmes de ficção e documentários em imagem real de curta e longa-metragem, é importante que o Brasil busque parcerias internacionais, seja para desenvolver, produzir, distribuir e/ou comercializar o produto nacional. Outro fator importante na regularidade da nossa participação em festivais e feiras de grande porte no exterior é a troca e aperfeiçoamento dos profissionais brasileiros, que nestes eventos têm a oportunidade de entrar em contato com as mais novas tecnologias de produção e também de apresentar, de uma só vez e a um público especializado, o audiovisual
brasileiro na sua mais completa extensão, que incondicionalmente inclui o
desenho animado.
O Brasil tem hoje operando em seu território pelo menos três grandes empresas de tv a cabo estrangeiras voltadas ao desenho animado: Cartoon Network, Fox Kids e Nichelodeon. Nenhuma destas empresas exibe regularmente uma produção nacional.
Após termos participado de Annecy, percebemos a surpresa dos profissionais estrangeiros diante da produção brasileira, que não sabiam existir.
O Brasil tem condições de produzir com a mesma qualidade desenhos animados principalmente no formato 2D (bidimensional). Também temos condições de operar com custos extremamente competitivos.
Nossa atual dificuldade é a produção, como aconteceu até recentemente com os filmes de ficção, que hoje já discutem formas de fomentar etapa posterior à produção, que vem a ser distribuição.
Pode-se dizer, então, que a animação brasileira encontra-se neste estágio
inicial: necessitando investimentos para a produção.
Annecy também possibilita o estudo do mercado estrangeiro sob outros aspectos:
- Percebe-se que nos territórios onde a animação constitui hoje uma indústria forte e propulsora do audiovisual, é também considerável o número de universidades com cursos regulares de graduação em desenho animado. Resultado deste fomento, pode ser observado na categoria competitiva de filmes realizados por estudantes que este ano selecionou e exibiu 69 produções.
No Brasil, hoje não temos um curso regular de animação em nível de graduação.
Por este motivo, pode-se dizer que a principal característica na formação do
profissional brasileiro de animação é ser autodidata;
- O mercado internacional de animação está investindo na produção de séries para televisão. Curtas e longas-metragens já têm seus espaços garantidos de exibição, seja nos cinemas, seja em canais de TV com programações dedicadas ao formato.
- A procura por co-produções para séries de televisão é grande. Para que o
Brasil participe deste mercado, é necessário que o país desenvolva seu produto nacional com vistas a competir neste mercado em constante expansão. Exemplo do investimento internacional no setor de séries para televisão é o valor hoje pago por algumas televisões européias: cerca de R$ 1.500.000,00 por 30 minutos de animação.
- O Brasil está em condições de participar deste mercado, principalmente como exportador de conteúdo. Temos bons roteiristas de animação que em nada ficam a dever às produções internacionais.
Material utilizado em Annecy:
Foram produzidos quinhentos (500) catálogos especialmente para o evento, destacando a produção de filmes de animação desde 1999. Destes, cem (100) foram entregues nos escaninhos pessoais dos compradores registrados no mercado e o restante, distribuídos durante o festival a participantes do mercado em geral.
Voltamos com cerca de 100 (cem) catálogos, que serão enviados aos responsáveis por filmes no catálogo e demais associados da ABCA.
No stand, criamos dois painéis com a arte da capa de nosso catálogo, produzido especialmente para o evento pelo artista Allan Sieber.
Screening:
Estavam disponíveis para visionamento no stand quinze (15) fitas VHS NTSC
legendadas em inglês de três categorias: animação adulta 1, animação adulta 2 e infantil.
Animação 1:
Almas em Chamas
Onde andará Petrúcio Felker
Deus É Pai
Terminal
Os Idiotas Mesmo
Desirella
Animação 2:
Problemas de Viagem
El Chateau
A Lasanha Assassina
O Limpador de Chaminés
Engolervilha
Animação 3:
Cebolas são azuis
Haina
A Traça Teca
Des Fantastik Sucric
Chifre de camaleão
Gêmeos
Alma Carioca
O Terceiro Tomate
Avaliação da Infra-estrutura:
Por ser a primeira vez que participávamos do evento, nosso espaço fazia parte do pacote mais básico que havia no mercado – stand de 9m2, com basicamente mesa, cadeiras e monitor de tevê.
Dada a pouca antecedência na preparação do evento, não tínhamos cartazes
disponíveis para a decoração do stand, que foi feita de maneira improvisada
através de um painel com as capas dos catálogos, produzido no local.
O Grupo Novo disponibilizou um telefone celular, imprescindível uma vez que sem ele havia grande risco de não se concretizarem algumas das reuniões marcadas, pois os lugares eram muito cheios e as pessoas, ainda desconhecidas.
Trabalhar em dupla com Daniela Ribeiro, representando comercialmente os filmes, foi fundamental. A experiência de 4 anos acumulada no GNCTV, através do qual vem participando dos mercados dos maiores festivais internacionais, facilitou nosso diálogo com os demais profissionais presentes.
Como oportunidade a se avaliar para o ano que vem, há um concurso internacional de projetos no âmbito do mercado. Os projetos inscritos nesse concurso são listados à parte no catálogo, e seu vencedor recebe prêmio em dinheiro e visibilidade junto aos compradores.
Nossa atuação:
O agendamento de reuniões com a BBC, a France 3 e a YLE garantiram o que de mais importante aconteceu no mercado. Sem o agendamento prévio, ficaríamos à mercê de quem nos visitasse no stand, e excluiríamos a possibilidade de encontrarmos compradores importantes, que têm sua agenda totalmente preenchida.
Da mesma maneira, a entrega dos catálogos nos escaninhos pessoais dos
compradores, dentro de um envelope endereçado especialmente a cada um, surtiu o efeito esperado. Mesmo os compradores que não puderam nos encontrar tiveram contato com o nosso catálogo. Vimos muitos deles em diferentes pontos do mercado com o catálogo em mãos. Compradores importantes como a BBC já chegaram à reunião informados sobre os nossos produtos.
Principais Contatos Feitos Durante o Mercado:
Film Victoria: a representante australiana nos deu parâmetros sobre valores de investimentos/orçamentos em diversos tipos e formatos de filmes em animação. Seu trabalho para o governo de Vitória é, acima de tudo, pesquisar os mercados internacionais para animação. Desta forma, ela participa dos principais festivais do mundo na busca de informações para melhor desenvolver políticas de investimento em audiovisual para a sua região.
Greenfield Toons: Estúdio em Bangladesh, interessados em co-produzir com o Brasil. Têm um projeto com o Canadá em que roteiro e desenhos são canadenses e animação em Bangladesh, cada um financiando sua parcela no projeto. Cada parceiro recebe uma porcentagem das vendas ao exterior, feitas por uma distribuidora internacional canadense. Têm capacidade para animar até 22 minutos por mês.
Android Blues: Estúdio situado na Malásia, com sócio suíço, interessado em
vender seus serviços de animação em 3-D.
France 3: Maior co-produtora da Europa, a France Télévisions (France 2, 3 e 5) co-produz nada menos que onze séries televisivas por ano. Todas para a audiência infantil (France 2 – de 12 a 15 anos; France 3 – de 6 a 12 anos; France 5, pré-escolar, de 2 a 5 anos). A France 3 tem séries de vários estilos, traços e nacionalidades, geralmente em co-produções que envolvem empresas francesas, alemãs, finlandesas, canadenses e belgas, entre outras.
422: Produtora inglesa com trabalhos para a BBC na área de História Natural.
Quer aproveitar seu histórico em animação (já trabalhou para a Warner Bros.) e está interessada em co-produzir nossos projetos com a BBC.
- Sem citações ainda.

#1 by Ricardo Bandeira on 1 de junho de 2010
ANIMIAMI INTERNATIONAL ANIMATION & TV FESTIVAL
Caros amigos,
Me chamo Ricardo Bandeira e estou produzindo um festival de animação e computação gráfica para cinema, TV e “game” em Miami, ANIMIAMI 2010, em outubro próximo. ANIMIAMI será um evento anual e conta com o apoio da cidade de Miami.
O festival acontecerá na Miami International University of Art & Design, terá Hans Donner como “Keynote Speker” e contará com a participação de destacados profissionais da área e de empresas como Dreamworks, Disney e Universal Studios.
Entre os principais palestrantes estão:
Brian Jefcoat (Bolt, Lillo & Stich), Ahmed Shehata (Ice Age II, Robots), Chris Bailey (X Man, Alvin 2), Mark A. Austin (Meet the Robinsons, Chicken Little), Mark Soderwall (Star Wars, Dungeons & Dragosn), Bill Buckley (Guitar Hero, Tony Hank Pro Skater).
Em anexo uma breve apresentação de nosso projeto convidando-o a visitar nosso site: http://www.animiami.com.
Agradeço desde já sua atenção e fico a disposição para qualquer informação complementar.
Atenciosamente,
Ricardo Whately Bandeira
VP/Director of Production and Operations
(305) 898.9865
rbandeira@animiami.com
Miami – USA
#2 by Ricardo Bandeira on 1 de junho de 2010
ANIMIAMI 2010, is an animation festival and conference, taking place in Miami on October 16th and 17th, at the Miami International University of Art & Design. The festival combines the best of what Siggraph and BDA Promax have in non-theatrical and commercial animation.
We would like to invite you to visit our site http://www.animiami.com and participate in this important event.
Introduction
ANIMIAMI’s principal goal is to improve the informational exchange between students, educational institutions, and the industry; giving these target markets the opportunity to share their ideas, create an environment to facilitate students’ transition from university to industry, and bring new energy to the trade. ANIMIAMI is an event composed by several different activities such as: The Animation Festival, The Conference, The Job Fair and The Industry Exhibit.
The Animation Festival will showcase the work of student’s to industry professionals, guest judges and speakers, as well as the general audience. The winners will be awarded internships in several animation studios in Miami and around the country. Professionals will also have the opportunity to compete in the festival, bringing their expertise and creativity to this exciting event.
Animation for gaming, advertising and theatrical will also be accepted as entries to The Animation Festival.
The Conference will have renowned speakers, master classes, software demos and panels on new technologies. It will be a forum for networking and information exchange with strong commitment and emphasis on education to develop and nourish new talent. The conference will also promote an exchange between industry and educational institutions to better prepare the students as they transition from schooling into the work force.
The Job Fair aims to serve the industry as a resource for talent, creating job opportunities by exposing student’s work to the leading companies in animation and computer graphics by gathering employers and jobseekers in one space.
The Industry Exhibit will showcase new technologies as well as advances in the industry by the leading software and hardware manufacturers in the country.
Please feel free to contact me for any additional information.
Best regards,
Ricardo Whately Bandeira
VP/Director of Production & Operations rbandeira@animiami.com (305) 898.9865